Mixtape 2.2

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Carta a um amigo que regressa

Reconciliação.png

Seja bem vindo amigo. Durante um longo período aguardei ver os contornos de seu rosto despontando no horizonte. Imaginei esse momento com a criatividade de quem quer decidir todos os pormenores da cena, escrevi o roteiro do nosso discurso ensaiado de reconciliação, te fotografei retornando e revi a cena imaginada inúmeras vezes. Não me preparei para a surpresa de me deparar repentinamente com uma aproximação paciente, não anunciada, não contei com um retorno gradual, silente, lento e cônscio dos meus limites, respeitoso com quem sou hoje.

Reconciliação, esse vocábulo curioso, que tanto pode significar reencontro – seu uso mais comum – quanto representar o ato de santificar um templo que fora profanado. Este nosso reencontro é que  me fez perceber a amplitude semântica dessa palavra. Tantas reconciliações fazem parte de uma escolha de tornar sacro novamente o templo profanado  da amizade, e de pagar o preço do processo de santificação. Resignificar símbolos, reatar sentidos, religar os fios de afeto, retomar ternuras antigas, redimir erros e passados, reconciliar.

Seja bem vindo amigo. Enquanto esteve ausente seu lugar manteve-se vazio, como um lembrete constante de uma saudade inominável. Estamos em casa. Você em mim, eu contigo. O reencontro real é mais belo e profundo que aquele que eu imaginara, este eu não controlo, não sei de antemão os diálogos e as palavras de afeto são regalos, surpreendem, não esperava ouvi-las dos seus lábio uma vez mais. Para você (e por você) a casa sempre esteve aberta.

Reconciliar-me contigo reconciliou-me comigo. São tantas facetas que só acesso ao teu lado. Tanto do que sou vem daquilo que construímos juntos. Foi bom reencontrar essa identidade que só tenho ao seu lado. Sentir tua falta, em alguns momentos, foi como se fosse a falta de mim mesma. Recebo seu retorno como quem também volta para uma casa há muito conhecida, com seu regresso eu também retorno para afetos familiares, para abraços pretéritos que reatam-se no presente, reconciliando o doce e amargor de tudo que passou. Na sua língua preferida me despeço com palavras de chegada, já não mais de partida, benvenuto.


A imagem é um fragmento de uma série em andamento chamada provisoriamente de Cartografias. Em breve compartilharei mais disso.  Abaixo a fotografia inteira:

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Clique na imagem para ir para a Mixtape

Esperar é Caminhar – Palavrantiga // For Good – Idina Menzel & Kristin Chenoweth // You Loved Me – Joy Williams // All this love – Julia & Angus Stone // Ein Elephant für dich – Win sind Helden // Somewhere only we know – Lily Allen // Unredeemed – Selah // Reconcialiation – Alexandre Desplat // No love Dying – Gregory Portter // O tempo não para – mariza // The Scientist – Coldplay // Loved – JJ Heller // Wings of forgiveness – India Arie // Home – Gabrielle Appin // Haja o que houve – Madredeus

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